[ARTIGO] Fortes altas de insumos geram instabilidade na cadeia de paletes e embalagens de madeira

 

Preços da madeira subiram até 83% e conectores de metal apresentam oscilação média de 115% entre maio de 2020 e abril desse ano

 

São Paulo, 12 de maio de 2021

O setor produtivo brasileiro vem atravessando instabilidade em relação ao fornecimento de matérias-primas desde meados do ano passado. O agravamento da pandemia e as consequentes restrições a diversas atividades na tentativa de combater o avanço da doença, infelizmente, tiveram como efeito colateral o desbalanceamento de uma série de cadeias econômicas. A suspensão inesperada levou à escassez de diversos insumos e, posteriormente, a uma alta generalizada de preços, que se fez sentir de forma mais aguda no segmento de paletes e embalagens de madeira.

Um levantamento da ANAPEM junto aos seus associados aponta um reajuste médio de 83% nos preços da madeira de pinus e de 65% nos da madeira serrada de eucalipto nos últimos 12 meses, entre maio de 2020 e abril desse ano. No mesmo período, as toras de eucalipto subiram 66% e as toras de pinus sofreram majoração de 55% nos valores.

Fortes altas de insumos geram instabilidade na cadeia de paletes e embalagens de madeira

A explicação para esses aumentos passa pelo desbalanceamento entre oferta e demanda. A produção física industrial de produtos de madeira recuou 0,4% no ano passado e durante os dois primeiros meses desse ano apresenta uma retomada acentuada, de 11,2%, acima do patamar do mesmo período de 2020. Como base de comparação, a produção da indústria em geral subiu 2,7% em janeiro e fevereiro desse ano, em relação ao mesmo período anterior.

Outros dois fatores agravam esse desbalanceamento: o aumento na procura por madeira pelo setor de papel e celulose e o crescimento das exportações.


Os preços de celulose, papel e produtos de papel subiram 16,2% em 2020 e outros 9,2% nos dois primeiros meses desse ano. A produção física também cresceu 1,3% em 2020 e 6,4% só no acumulado de janeiro e fevereiro. Os grandes produtores têm projetos de expansão significativos e estão antecipando compras, para garantir matéria-prima para suas novas plantas industriais.

Na outra ponta, o dólar elevado puxou as exportações de madeira brasileira, ampliando a pressão sobre o mercado interno. Os embarques de compensados de pinus, por exemplo, cresceram 20% no ano passado, somando 2,4 milhões de m3, enquanto os de lâminas de pinus saltaram 37%, para 184 mil m3. Com destino principalmente à América do Norte e à China, a exportação de madeira serrada de pinus totalizou 3,03 milhões de m3 em 2020, acima das 3 milhões de toneladas pela primeira vez na história.

Não foram apenas os derivados de madeira que sofreram fortes oscilações de preço. Pregos e outros conectores de metal, insumos essenciais para a indústria de paletes e embalagens de madeira, apresentam aumentos médios em torno de 115% entre maio de 2020 e abril de 2021.

Tendo em vista esse cenário, a ANAPEM está redobrando esforços para oferecer toda a assistência aos seus associados. A recomendação para enfrentar a presente situação é intensificar as negociações, tanto com clientes quanto com fornecedores, perseguindo o caminho do meio que fará nossa cadeia mais forte e resiliente para seguir a jornada.