[ARTIGO] PANORAMA E PERSPECTIVAS DO SETOR DE FLORESTAS PLANTADAS E DO MERCADO DE MADEIRA

 

Palestra realizada durante AGE ANAPEM em Novembro 2017

 

O Brasil possui  área de florestas plantadas de 7,8 milhões de hectares, principalmente de Eucalyptus (73 %) e Pinus (20 %), além de outros gêneros como Teca, Paricá, Acacia, Seringueira com área de aproximadamente 500 mil hectares. A área total plantada com espécies florestais representa menos de 1% do território nacional e infelizmente o crescimento da área plantada está  limitada pela falta de uma política florestal adequada para o setor, somado a uma enorme burocracia dos mais variados departamentos de governo, que afetam negativamente o desenvolvimento e o progresso do setor de florestas plantadas, apesar do país apresentar uma condição extremamente favorável para o crescimento das florestas com uma boa plasticidade e adaptabilidade aos diferentes solos e climas e com a maior produtividade florestal mundial.

Panorama e perspectivas do setor de florestas plantadas e do mercado de madeira

Importante salientar que o país possui mais de 5,5 milhões de hectares certificados, por instituições reconhecidas nacionalmente e mundialmente, demonstrando que o plantio e colheita de árvores, são realizados, administrados e manejados com total respeito as leis e com os cuidados extremos com os ecossistemas e com as comunidades locais onde as áreas florestais estão inseridas. Além disto, o país conta com profissionais altamente qualificados e com muita experiência na gestão de toda a cadeia produtiva florestal, da pesquisa e melhoramento genético, passando pela silvicultura de precisão, colheita, logistica, tecnologia aplicada ao setor e como resultado final na comercialização dos produtos florestais.

Atualmente a demanda total brasileira é estimada em 201 milhões de metros cúbicos por ano, sendo 154 milhões de Eucalyptus e 47 milhões de metros cúbicos de Pinus. O consumo de Eucalyptus está concentrado principalmente nos setores de Celulose & Papel (46%), madeira de energia (30%), carvão vegetal (14%) e outros (10%). Enquanto , que o consumo do Pinus está concentrado nos segmentos industriais de  madeira sólida (58%), Papel e Celulose (20%), painéis reconstituídos (14%) e outros (8%).

Panorama e perspectivas do setor de florestas plantadas e do mercado de madeira

Nos últimos 10 anos, destaca-se o aumento da área plantada de Eucalyptus de 1,8 milhão ha, atingindo 5,7 milhões ha,  localizados principalmente nos Estados de MG (25%), SP (17%), MS (15%) e BA (11%). Os Estados de Minas e São Paulo sempre foram tradicionais no cultivo de Eucalyptus, porém mais recente o Estado de Mato Grosso Sul ganhou expressividade com uma base florestal de 850 mil ha, superior a demanda regional atual das indústrias de celulose e papel localizadas em Três Lagoas/MS. Adicionalmente, as áreas plantadas com Eucalyptus aumentaram em poucos anos em Estados não tradicionais, conhecidos como novas fronteiras, como Maranhão, Piauí e Tocantins (MAPITO). O Brasil com a grande extensão territorial apresenta produtividades médias de 35 - 40 m3/ha/ano para o Eucalyptus, porém com variações de produtividade de 10-15 m3/ha/ano até 60-65 m3/ha/ano.

 

Ou seja, a variação da produtividade é enorme devido a presença ou não de déficit hídrico, das variações dos solos, da adaptação dos materiais genéticos e da silvicultura aplicada no campo. Isto demonstra que os profissionais do setor florestal precisam ter um conhecimento profundo das regiões, dos solos, dos materiais genéticos e serem capazes e competentes silviculturalmente para evitar investimentos que possam resultar em retornos financeiros negativos. Por um outro lado, nos últimos anos,  a área plantada de Pinus diminuiu 302 mil hectares, atingindo 1,58 milhão ha,  localizados principalmente nos Estados do PR (42%), SC (34%), RS (12%) e SP (8%), com produtividade média de 28 a 32 m3/ha/ano, porém podendo variar de 10-15 m3/ha/ano até 40 - 50 m3/ha/ano, explicada pelas mesmas variáveis que afetam a produtividade dos plantios de Eucalyptus.

As indústrias dos segmentos da madeira serrada, pallets, embalagens, fencing, laminados, compensados, móveis sólidos, FJ moldings, componentes de portas, entre outros setores, são os principais consumidores de Pinus e são as empresas que tem demonstrado enorme preocupação quanto ao suprimento sustentado atual e futuro, diante da queda da área plantada não compensada pelo aumento da produtividade. Além da redução da área plantada de Pinus, é importante destacar os eventos e fatos relevantes que estão ocorrendo nos últimos dez anos e que  já estão afetando a oferta de toras para o mercado de madeira sólida, como:

 

 

Panorama e perspectivas do setor de florestas plantadas e do mercado de madeira

- A paralisação da realização do manejo através dos desbastes pelas empresas líderes na oferta de toras nos mercados regionais.

Isto deve-se as tradicionais empresas verticalizadas floresta/indústria terem  como objetivo o aumento da produção de fibras por unidade de área com a estratégia de aumentar a oferta para seu próprio suprimento industrial. Este fato exige uma demanda menor de superfície de área a ser plantada para a mesma produção comparando com o sistema de florestas manejadas. Assim as empresas buscam menores custos e aumento da rentabilidade do negócio na integração floresta e indústria.

- Conversão de áreas de Pinus para Eucalyptus,  com o objetivo também de aumentar a oferta para as indústrias consumidoras localizadas principalmente no Estado do PR. Adicionalmente, pequenos e médios investidores independentes substituíram no passado recente, áreas de Pinus por Eucalyptus, atraídos por uma produção maior por hectare, porém sem considerar o comportamento da oferta e demanda e os preços de venda da madeira que atualmente estão muito baixos na região sul e sudeste do Brasil.

- Nos últimos anos, um novo movimento se tornou evidente, em que vários produtores decepcionados com os preços baixos da madeira e devido a um tempo maior para a maturação dos investimentos, estão desistindo da área florestal e convertendo suas áreas para pecuária e agricultura.

Panorama e perspectivas do setor de florestas plantadas e do mercado de madeira

Os fatos mencionados nos três pontos acima, estão sendo compensados em parte pelas pequenas e médias empresas florestais tradicionais e investidores independentes (TIMO’S) que continuam focados no sul do Brasil no plantio e no manejo de Pinus voltado ao mercado de madeira sólida. Estas empresas que não são verticalizadas industrialmente, tem o seu maior foco no cultivo do Pinus no sul/sudeste do Brasil com manejo multi – produtos, com objetivo de aumentar o retorno econômico e focar o seu negócio em mercados diversificados, aproveitando as oportunidades deixadas em aberto pelas grandes empresas líderes no fornecimento de toras.

 

João Carlos Mancini

Valor Florestal Gestão de Ativos Florestais Ltda.